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A quinta reunião ordinária da diretoria do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso - Sindusmad reuniu empresários e representantes do setor de base florestal para discutir questões que impactam diretamente as atividades das indústrias. Entre os principais assuntos estiveram a instabilidade dos sistemas utilizados pelo setor, a suspensão de planos de manejo florestal sustentável, a identificação botânica da madeira e as oportunidades de agregar valor à produção madeireira por meio de novas tecnologias. Durante os meses de agosto, setembro e outubro mais de 130 ações foram realizadas pelo sindicato
O presidente do Sindusmad, Felipe Antoniolli, destacou a participação dos associados e diretores, que mais uma vez compareceram em grande número à reunião. “A gente fica muito feliz com a participação dos diretores e dos associados. Novamente, casa cheia, o que mostra o interesse dos associados e diretores para com o nosso setor. Falamos bastante sobre a inoperância dos sistemas, a suspensão dos manejos florestais sustentáveis, ações civis públicas referentes à identificação da madeira, entre outros assuntos pertinentes ao nosso setor”, afirmou.
Um dos pontos que recebeu atenção foi a instabilidade dos sistemas do Ibama (DOF + /Sinaflor) e da SEMA (Sisflora 2.0) que são utilizados para as operações ambientais e florestais. Segundo Antoniolli, as constantes oscilações têm comprometido a produção, impedido carregamentos e provocado prejuízos às empresas. “Essa oscilação do sistema nos torna reféns. Infelizmente, não conseguimos trabalhar nossa produção. São carregamentos parados, pessoas que não conseguem se deslocar devido a um sistema falho, que fica oscilando dia sim, dia não. A gente precisa acabar com essa situação, que está insustentável”, ressaltou.
O presidente explicou que o sindicato está buscando apoio do Cipem, Fiemt, FNBF e da própria Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “Estamos pedindo apoio para essas importantes instituições ligadas ao setor, juntando informações e fazendo um verdadeiro dossiê de todo o prejuízo que o setor vem amargando com essas oscilações dos sistemas”, acrescentou.
Outro assunto abordado foi a eleição da nova diretoria da Federação das Indústrias de Mato Grosso, realizada no dia 23 de outubro, que elegeu Jandir José Milan para a presidência da entidade. O setor de base florestal conquistou mais espaço na composição da nova gestão. “O setor de base florestal teve uma significativa presença na diretoria, o que nos traz oportunidades de representar esse setor que tanto necessita e que tanto gera empregos e renda para o estado de Mato Grosso. Uma indústria forte depende também de uma representatividade forte”, destacou.
Fazem parte da nova diretoria da FIEMT, Gleisson Omar Tagliari como vice-presidente, Felipe Antoniolli como diretor titular e Sigfrid Kirsch, como diretor suplente. Também fazem parte da gestão, representantes dos oitos sindicatos do setor de base florestal.
Durante a reunião, também foram discutidos os avanços do projeto de identificação botânica da madeira, desenvolvido pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), em conjunto com instituições de ensino e pesquisa. A iniciativa busca aprimorar os procedimentos de identificação das espécies florestais contribuindo para as atividades do setor. “É um projeto importantíssimo para o setor de base florestal. Traz segurança, traz credibilidade, uma identificação com caráter mais científico, comprovado. É um trabalho que o Cipem vem realizando, juntamente com a Universidade Federal de Mato Grosso e com a Universidade do Estado de Mato Grosso. É um trabalho que realmente a gente precisa apoiar e intensificar”, afirmou.
A proposta também contempla a realização de capacitações voltadas aos engenheiros florestais e aos profissionais que atuam diretamente na identificação da madeira nos planos de manejo, conhecidos como mateiros.
O presidente do Sindusmad reforçou o convite para a Assembleia Geral, marcada para o dia 5 de dezembro, quando serão discutidos assuntos institucionais, incluindo a proposta orçamentária e informações relacionadas ao setor de base florestal. A programação já conta com a participação confirmada do Cipem. “A gente já aproveita e faz o convite aos diretores e associados. Convocamos todos a participarem da nossa Assembleia Geral. Queremos trazer dados importantes do nosso setor, previsão, orçamento, entre outros assuntos, para levar conhecimento a todos os associados de como está o nosso setor”, concluiu Antoniolli.
A reunião também abriu espaço para a apresentação de uma tecnologia de modificação térmica da madeira, que pode ampliar as possibilidades de utilização das espécies brasileiras e agregar valor aos produtos comercializados pelas indústrias. Representantes da empresa WDE apresentaram aos empresários o processo que utiliza tratamento térmico para melhorar características da madeira, especialmente para aplicações em ambientes externos.
O representante da empresa WDE, Alessio Lucarelli, destacou a oportunidade de apresentar a tecnologia aos madeireiros e explicar as possibilidades comerciais do produto. “Foi uma grande oportunidade de falar com donos de serrarias, difundir um pouco essas informações sobre o processo de modificação térmica e também sobre o produto, que é a madeira termomodificada”, explicou.
Segundo ele, a tecnologia pode proporcionar um aumento expressivo no valor comercial da madeira beneficiada. “A nossa tecnologia é uma tecnologia de alto nível, onde a qualidade do produto final vai ser bem alta e o valor agregado, comparado com o valor da madeira seca, pode ser até mais de 100%”, afirmou.
O representante comercial, Luiz Giudicissi, explicou que a madeira com modificação térmica já possui mercado consolidado na Europa e nos Estados Unidos, enquanto no Brasil a utilização da tecnologia ainda está em desenvolvimento. “Hoje já existem várias empresas madeireiras exportando para a Europa madeiras tropicais brasileiras para fazer a modificação térmica lá. O mercado é muito forte na Europa, muito forte nos Estados Unidos e, no Brasil, é um negócio que está começando, mas tem um futuro muito grande”, destacou.
Entre as vantagens apresentadas estão a maior resistência às condições climáticas e a possibilidade de utilização de madeiras em fachadas e ambientes externos, possui estabilidade dimensional e a possibilidade de definir a tonalidade da cor da madeira. Além disso, é um produto sem aditivo químico, o que classifica o produto como uma solução ecossustentável.
Os empresários também receberam informações sobre as possibilidades de aquisição dos equipamentos, incluindo financiamentos de instituições europeias, com prazos de até cinco anos e pagamentos semestrais, além de linhas de crédito disponíveis no Brasil para equipamentos importados sem similares nacionais.
Ao final da reunião, a empresa proporcionou um momento de networking entre os empresários e um jantar de confraternização.