Período proibitivo de extração da madeira reforça compromisso ambiental e exige planejamento do setor florestal

Publicado em: 04 de Fevereiro de 2026
Fonte: SEMA / SINDUSMAD

O período proibitivo das atividades dentro dos projetos de manejo florestal, teve início no dia 1º de fevereiro e segue até o dia 1º de abril em Mato Grosso. A medida, prevista em resolução nº 406 de 02 de fevereiro de 2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e regulamentada pela Câmara Técnica Florestal do Estado por meio da Resolução nº 10/2017, visa reduzir impactos ambientais durante o período chuvoso, contribuindo para a conservação do solo e a sustentabilidade da floresta. O Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso - Sindusmad atua como entidade de apoio aos seus associados, acompanhando e reforçando a importância do planejamento das atividades do setor florestal.

Conforme a superintendente de Gestão Florestal da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Tatiana Paula Marques de Arruda, respeitar esse período é essencial para manter o equilíbrio entre o desenvolvimento ambiental, econômico e social. “O período proibitivo se refere a época chuvosa, em que não há viabilidade para exploração. A restrição estabelecida nesse período, garantirá uma exploração mais sustentável, reduzindo o impacto ambiental causado pela movimentação de veículos pesados na floresta e assegurando a conservação da vegetação”, afirmou.

Segundo o presidente interino do Sindusmad, Marcelo Ghiraldi, essa medida está diretamente ligada às condições do solo nesse período. “Em épocas de chuvas, o corte, a derrubada, o arraste e a retirada da madeira da mata acabam provocando uma erosão, porque o solo fica muito úmido e o tráfego de máquinas cria sulcos profundos tanto dentro da mata quanto nos carreadores. E se tratando de projeto de manejo, onde toda a execução ocorre com o menor impacto ambiental possível, essa medida busca reduzir esses danos ao máximo”, garantiu.

Marcelo explicou que, na prática, durante o período proibitivo, as atividades dentro dos projetos de manejo ficam totalmente bloqueadas. “O sistema da Sema bloqueia as atividades, então não consegue realizar nenhuma operação dentro do projeto de manejo, porque o projeto fica praticamente blindado. Como tudo é feito via sistema, não é possível realizar nenhuma operação, como cortar e seccionar as árvores. Além disso, a Sema também monitora, via imagens de satélite, a região onde existem áreas manejadas”, informou.

Para minimizar os impactos produtivos, o setor adota estratégias de planejamento antecipado. “No período de dezembro ou janeiro, o empresário adianta todas as operações de extração dentro do projeto de manejo, retira as madeiras e armazena em uma esplanada principal, que deverá ser homologado, com coordenadas geográficas informadas à Sema com a volumetria que ficará neste local. Essas madeiras serão seccionadas, numeradas e cubicadas e inseridas no sistema Sisflora 2.0. Dessa forma, é possível emitir a guia florestal e comercializar para as indústrias madeireiras”, detalhou.

O Sindusmad atua de forma preventiva junto aos empresários, orientando sobre prazos, legislação ambiental e boas práticas. “O período proibitivo já faz parte do planejamento anual das empresas. Quem precisa manter a produção tem que reforçar o estoque com antecedência para atravessar esse período”, explicou.

Mesmo após o fim do período restritivo, muitas vezes é necessário aguardar que a floresta apresente condições adequadas para a retomada das atividades com segurança. “O setor aguarda um tempo maior para a floresta secar e retornar à extração da madeira. Por isso, é fundamental antecipar as operações nos meses de dezembro ou janeiro, para posteriormente realizar o transporte da madeira até a indústria”, destacou. A safra da madeira tem início após esse período proibitivo, quando as empresas organizam a extração, a compra e a formação de estoques, de modo a atender a demanda do mercado consumidor nacional e internacional.

O presidente interino destacou que o próprio setor é o maior interessado na conservação das florestas. “O setor de base florestal é o defensor da floresta. Sem floresta, não existe setor de base florestal. É como não cuidar da própria horta e querer colher. Existe uma evolução muito grande na questão ambiental, tanto na fiscalização quanto nos procedimentos de extração e colheita da madeira. Ainda há muito a avançar, principalmente em reflorestamento, não apenas de eucalipto para biomassa, mas também para madeira destinada à indústria”, reforçou.