Palestra orienta empresários do setor florestal de MT quanto a exportação da madeira

Publicado em: 28 de Agosto de 2026
Foto Por: Assessoria
Fonte: Fiemt, Cipem, Sindusmad e Ibama

A palestra “Descomplicando a Exportação”, promovida pelo Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso – Sindusmad, teve como objetivo orientar os empresários do setor de base florestal e profissionais quanto ao processo de exportação da madeira, os procedimentos burocráticos e documentos necessários e as diferentes formas de acessar ao mercado internacional, a fim de diminuir a insegurança e incentivar os empresários locais a começar a exportar. O evento foi realizado em parceria com Fiemt, Cipem e Ibama.

Após a palestra, os empresários Guilherme Werlang da Direta Madeiras, Gleisson Tagliari da GTO Madeiras, Moacir Willinghoffer da ST Madeiras e Sigfrid Kirsch da Zico Madeiras apresentaram suas experiências e as melhores práticas que as empresas adotaram para o mercado internacional.

A Divisão Técnico-Ambiental (Ditec) do IBAMA – MT é a unidade responsável por analisar os documentos necessários para emitir as licenças para a exportação pelo Porto Seco de Cuiába. O chefe da Ditec, Gabriel Ávila, explicou o que os empresários precisam entender antes de começar a exportar. "É necessário que ele entenda que a cadeia de custódia da madeira a ser exportada é primeiro monitorada por ele. Então ele precisa perceber a regularidade, a legalidade de toda a origem e de todos os andamentos que a carga de exportação dele teve pra que, ao chegar no Porto Seco, a carga possa ter o devido andamento sem nenhuma surpresa", disse.

O servidor apresentou o trabalho do órgão e o passo a passo do fluxo processual. Segundo ele, o saldo da noite foi positivo. "Apresentei o trabalho do lado de cá do balcão, isto é, por parte do Ibama. O que o Ibama faz a respeito do comércio exterior no setor de base florestal. Demonstramos também como é o fluxo processual da análise de licença CITES, das análises das LPCOs, para exportação. Entendo que foi bem positivo, que as pessoas compreenderam tanto o trabalho que a gente executa quanto o trabalho que eles precisam desenvolver para melhorar a qualidade técnica e aprimorar a relação dos nossos trabalhos no Ibama”, disse.

Gabriel também detalhou as normas que devem ser observadas pelas empresas. "Precisa seguir a IN 8 do Ibama de 2022, que trata dos documentos necessários pra exportação, em consonância com a IN 24 de 2022, que trata da madeira CITES", afirmou. Entre os documentos exigidos, listou a autorização de exploração, o CAR da propriedade rural, o documento de regularidade do Cadastro Técnico Federal - CTF, além dos documentos da cadeia, como guias florestais, DVPF, notas fiscais, histórico de transformação da madeira, CRV, e, ao final, o packing list.

Gabriel também falou sobre o que ainda dificulta o acesso das empresas ao mercado internacional. Para ele, há um medo do órgão regulador que precisa ser enfrentado. "A gente sente que a falta de diálogo entre o setor público e o setor privado dificulta o avanço da exportação. É algo que a gente deixou claro que tem que acabar. Essa realidade tem que ser alterada. Já vem sendo alterada algum tempo, mas é importante que o empreendedor ache no Ibama um serviço público de qualidade em que ele pode contar pra valorizar a própria carga e valorizar o próprio negócio”, afirmou.

O presidente do Sindusmad, Felipe Antoniolli, destacou que o objetivo do sindicato, como representante do setor de base florestal, vai além da orientação por demanda. "Nosso grande objetivo, enquanto sindicato representante do setor de base florestal, é criar benefícios, dar o suporte necessário aos associados, fomentar a prática do manejo florestal sustentável e incentivar os associados a abrirem novos mercados. Nada melhor do que eventos como esse para realmente abrir novas possibilidades e as pessoas verem que o mercado da exportação não é um mercado tão distante igual nós imaginamos", afirmou.

Felipe acredita que a maioria dos empresários saiu com o entendimento de que existe uma possibilidade prática e concreta de iniciar no mercado externo. “A maioria dos empresários já tem o entendimento após esse evento de que realmente tem a possibilidade, a prática viável e concreta de começar no mercado exterior. Nós já trabalhamos com manejo florestal sustentável, com legalidade, com rastreabilidade. Nada melhor do que a gente poder exportar o nosso produto e ter um melhor valor agregado", ressaltou.

Para o presidente, o evento foi de grande relevância, pela participação ativa dos associados, diretores e empresários. "Ao final do evento, muitos associados já nos procuraram falando que querem realmente começar um processo de cadastramento para futuras negociações com o mercado exterior", relatou.

Para o presidente do Cipem,  Gleisson Tagliari, o Cipem atendeu à demanda do Sindusmad em parceria com a Fiemt para proporcionar ao empresário da região o conhecimento necessário para internacionalizar sua empresa. “Nós tivemos a demanda do Sindusmad, falando de um assunto que é tão pertinente hoje no setor de base florestal, que é a internacionalização das empresas. A partir do momento que veio essa demanda, a gente prontamente atendeu juntamente com a Federação de Indústrias", contou.

Segundo Gleisson, uma das atribuições do Cipem é capacitar o empresário nas várias áreas de sua atuação. “Uma das atribuições é capacitar o empresário nas várias áreas de sua atuação: capacitação na questão ambiental, capacitação na questão jurídica e, neste caso específico, capacitá-lo para a internacionalização das empresas. A gente faz isso com muita satisfação de ver que o Sindusmad está se mostrando interessado para que os seus associados participem desse processo", garantiu.

Gleisson também vê um cenário favorável para a madeira mato-grossense no mercado internacional. "O mundo inteiro hoje trabalha com sustentabilidade, com produtos renováveis, e a madeira é o único produto que substitui os demais componentes da construção civil de forma renovável e sustentável. O mercado internacional é crescente por demanda dos nossos produtos", afirmou.

Com 15 anos de experiência como exportador, Gleisson também chamou atenção para os documentos necessários antes de iniciar as vendas para outros países.” "Exportar é um processo que, quando você quiser exportar, tem que estar pronto. Pode ser que você tenha que mudar o seu contrato social, partes burocráticas que a empresa tem que fazer. Uma vez que você organiza a exportação, você traz isso para o seu mercado interno, pra que você melhore os seus processos gerenciais e também seus processos produtivos. Você tem uma qualidade do seu produto a nível internacional que traduz isso e transfere isso para o mercado interno. A mentalidade muda. Você passa a ser uma empresa referência também no nível estadual e no nível nacional", explicou.

A analista de Negócios Internacionais da Fiemt, Giulia Anchieta, apresentou dados sobre a exportação do setor de base florestal de Mato Grosso. “A gente percebe que grande parte da insegurança dos empresários em iniciar essa jornada da exportação é da ausência de conhecimento técnico e específico sobre as operações. A gente trouxe a perspectiva estratégica sobre as operações, trouxemos os dados em relação ao setor de base florestal do estado de Mato Grosso, de forma que demonstra que existe um mercado, existe toda uma atividade que vem ocorrendo no estado", informou.

Ela destacou que a missão principal da Fiemt é representar a indústria e ser um elo entre ela e o mercado internacional. "Quanto mais indústrias tivermos exportando, mais receita teremos no estado, mais empregos e mais competitividade e qualificação", afirmou.

Entre os temas apresentados por Giulia esteve a possibilidade de exportação indireta. "Não é obrigatório que a indústria esteja exportando diretamente pro comprador final. A gente consegue trabalhar com trading companies, com o apoio de distribuidores locais, formando a exportação indireta. Isso foi algo muito bem olhado, bem visto por todos os participantes, porque é uma forma de você ter essa primeira experiência internacional sem precisar que toda a sua empresa esteja totalmente adequada a isso", explicou.

A intenção da Fiemt e do presidente Silvio Rangel é levar o evento para outros municípios do estado, ampliando o alcance das informações. “Essa foi a primeira ação que a gente realizou, mas a intenção é que ela não seja a última. Como a gente tem um estado de dimensões continentais, estamos trabalhando com a proposta de levar esse evento para outros municípios, de trabalhar com a capilaridade dentro do estado. Além disso, temos programas também dentro da Federação, como o Programa Indústria Exportadora, que busca trazer toda essa jornada”, explicou.

As missões internacionais também estão entre as ações realizadas pela Fiemt. “O último exemplo foi uma ação que realizamos em parceria com o Cipem, Sindusmad e com a Invest MT, para a França. Levamos um estande todo feito em madeira nativa, com a intenção de buscar possíveis compradores para essa madeira mato-grossense. Realizamos também uma rodada de negócios que para os primeiros seis meses, tivemos uma projeção de mais de 12 milhões de dólares negociados”, ressaltou.

Para a estudante de Comércio Exterior da FASTECH que participou do evento, Guienever Gomes, a palestra foi uma grande oportunidade para aprender. "O ponto mais interessante foi a explicação do Ibama, o passo a passo pra você conseguir fazer uma exportação, as necessidades que eles têm e que nós precisamos cumprir pra isso acontecer de forma mais rápida e eficiente possível", disse.

Ela elogiou a iniciativa do Sindusmad. "Extremamente inteligente e estratégica para a filiação de mais associados ao sindicato e para integrar a comunidade nas questões importantes e inovadoras", afirmou.